Lúcio chegou hoje de viagem. Finalmente. Passou os últimos três dias tentando voltar para casa, depois de uma semana em
Dayton,
Ohio. Eu amo Nova York como se fosse minha cidade, mas tenho de reconhecer que boa parte dos Estados Unidos ainda não sabe o que é civilidade. Nos últimos três dias, Lúcio e dois colegas foram vítimas do descaso, da arrogância e da incompetência em nada menos do que QUATRO aeroportos americanos.
O roteiro original na segunda-feira previa
Dayton-
LaGuardia/NY-
Washington-SPO-Rio. O vôo que saía de
La Guardia atrasou três horas. Em vez de mofar no aeroporto, a equipe aproveitou para passear por
Times Square. Embarcou, mas não conseguiu fazer a conexão em
Washington. Resultado? Uma noite em
DC, num hotel distante de tudo, com
vouchers de valores irrisórios para alimentação e transporte.
O humor suportaria um dia na capital americana, mas por pouco não azedou quando o grupo ouviu a seguinte pérola reveladora da atendente da companhia:
- Vocêm embarcam amanhã, sim, vão fazer
Washington-Madri-São Paulo-Rio.
Madri? Sim! A funcionária devia achar que a Espanha fica no caminho para o Brasil. Depois da justa reclamação e de uma aula de geografia, a senhora deu outra opção:
-
Washington-
Chicago-São Paulo-Rio.
Ok, depois de um dia em
Washington, os três colegas seguiram para
Chicago na terça-feira à noite. Acreditem: o vôo atrasou - e a conexão para o Brasil foi perdida. Mais uma vez, o grupo foi vítima da deselegância típica dos aeroportos americanos. Conseguiram, depois de muita conversa e bate-boca, um hotel longe de tudo e U$ 5 para tomar um café-da-manhã, num país em que um suco de frutas passa dos U$ 4.
Finalmente os três colegas embarcaram de
Chicago para São Paulo na quarta-feira à noite, exaustos. Levaram três dias para chegar em casa.
Por acaso, nesse meio-tempo, o
Washington Post publicou uma matéria de primeira página contando que os Estados Unidos atravessam a pior crise aérea desde 1995, quando os atrasos e cancelamentos começaram a ser computados. Nos cinco primeiros meses de 2007, o índice foi de 26%. Alto demais para um país de primeiro mundo, não será? Em junho, vejam só, apenas 69% dos vôos chegaram no horário. Cerca de 20 mil foram cancelados. As causas mais freqüentes? Mau tempo e uma malha que não suporta mais tanto avião no ar.
Parece um papo que já ouvi por aqui. Eu sei que um erro não justifica o outro, mas a gente precisa saber que não é só o Brasil que sofre com a ganância das companhias aéreas e o desrespeito para com o passageiro. Os funcionários americanos são tão despreparados, ineficientes, quanto os nossos - que pelo menos são um pouco mais bem-educados.
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